sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente...

Essência... Quando habitávamos o nosso país há pouco mais de 500 anos, tínhamos aprendido a ver a essência, já que a aparência era quase igual a todos, não nos distinguíamos pelas roupas, pelos cargos, ou mesmo pela nossa beleza física, e sim, pelo que éramos por dentro. Hoje chamamos de evolução aquilo que parece bem mais uma quase infinita regressão. Somos mais ricos, mais belos, mais famosos, mais excêntricos.

Espelhos... Nos deram como o bem mais precioso que havia. Conseguimos nos enxergar, não mais pelo que realmente somos, mas pelo que realmente apresentamos ser. Conseguimos ver nossas manchas, nossas rugas, nossos detalhes e consequentemente os dos outros. Conseguimos julgar pelo que o outro veste, pelo que ele é na sua embalagem: gordo demais; magro demais; feio... pra mim não serve. Olhamos rápido demais e mais depressa ainda julgamos compreender aquilo que não se vê. Na verdade nossa visão não passa pelo profundo do que o olhar quer mostrar.

Um mundo doente... Neurótico pela aparência, pelo excesso de perfeccionismo, por ser cada vez mais linear, mais harmônico fisicamente, mais vazio sentimentalmente, mais descartável e passageiro. Cuidemos logo de nossa aparência, o tempo é o nosso inimigo, dizem. Mas o tempo é amigo dos que buscam a sabedoria, que só com o tempo obterão. Aquele que buscam virtudes, e só o tempo os ajuda a enraizá-las.

Nos deram espelhos e ao contrário do que se pensa, hoje nos enxergamos menos ainda com eles...

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