sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Penso que mereço

Sujo minha imagem
Mostro meus defeitos
Quem sabe, assim, goste menos de mim
Uso voz mais alta
Olho para o lado
Quem sabe, assim, goste menos de mim
Finjo: não me importo
Rasgo meu caráter
Quem sabe, assim, goste menos de mim
É que me acostumei a me ver desse jeito torto
E qualquer afeto sincero não acredito
Desse jeito sujo eu me vejo
Receber menos é o que eu penso que mereço

terça-feira, 17 de julho de 2018

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Nada

E se o Universo fosse um, entre muitos
E se a Terra fosse um pequeno círculo, entre tantos
E se Eu fosse apena um, entre todos
Seria vã minha preocupação
Pequena no meu espaço
Mais próxima do nada que do algo
E encontrar meu nada
E da pequenez destas palavras

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Doar

Alguns doam roupas, outros, comidas
Alguns doam um pouco de sua presença
Num mundo de telas, presença é riqueza
E... por falar em riqueza, pobre como sou
Olhei para mim e nada vi para doar
A não ser aquilo que mais podia: o ouvir
Doei meu ouvir pra que não ficassem corações perdidos
Doei meu ouvir, para que a dor tivesse um caminho
Ás vezes, este doar, doeu
...quantas vezes doeu... mas continuei a doar
Doando sem parar, na esperança de me sentir menos pobre
Mas, pobre de mim, doando o meu ouvir, fui eu que enriqueci

sábado, 30 de julho de 2016

Perdido

Quem sou? Por que me perco em mim?
Já assumi tantas formas que hoje fica difícil ser uma
Traços de pai, jeito de mãe, é um jeito de ser ou de imitar?
Por que não mudar? Porque as vezes mudar é um jeito de se perder
Mudar aquilo que sei de mim é um jeito de perder o pouco que me conheço... e isso dá medo
Será que devo ser? Ou devo estar?
O que será que serei que não quero ser?
E se for algo bom? Não sei...
Achei que em mim era um jeito de me encontrar
E não encontro
Aliás, me encontro sim... perdido.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Quem sou eu? Quem é você?

Eu sou o que vocé pensa ou vê?
Você é o que eu vejo em você?
Será que o que vejo em você não faça parte mais de mim que de ti?
Será que o vê em mim não seja reflexo de você?
Será que me mostro por inteiro?
Será que vejo parte que você não vê?
Será que você vê parte que não vejo em mim?
Será que eu vejo você em partes?
Eu sou o que acredito ser? Quem saberá?
Você é o que significa em mim?
Você é ainda o que não vi?
Eu sou ainda o que não cri?
Quem sou eu? Quem é você?
Quem pode definir?

domingo, 29 de maio de 2016

A mais bela das mulheres

Dentre todos os olhares
O mais puro é o seu
Nessa trama que teceu
Sem os nós dos meus pesares

De estrelas, aos trilhares
Não se compara ao brilho seu
Nem o ensolarado céu
É uma centelha dos seus altares

Sozinho não me sinto, aos pares
Acompanhado de quem me enalteceu
Miserável servo seu
Daquela que junta as águas dos mares

Beleza que trancende ares
Ao que viu quase pereceu
Se não fosse um favor seu
Raio dos seus brilhares

Conduz, ó mãe dos lares
Com carinho o passo meu
Que eu não tropece no breu
Em nenhum dos meus lugares

Que eu possa com louvores
O que sua misericórdia prometeu
Não se perca um filho meu
Que nutri com meus amores